Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso
(Mário Quintana)



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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Chão de Terra - um poema torturado





A cama e a janela
uma calcinha rota sobre a colcha
no guarda roupas - somente cabides pestilentos
a cortina, sozinha voava
feito borboleta ao fim de seus dias


Na mala carcomida
trapinhos coloridos, sem rostos -
na expressão do abandono
desce a lágrima


Sandália furada na terra batida
foram-se as pegadas (tantas que...)
nenhuma "colheita" a mais foi rompida
sobre o sangue da virgem,
só lembranças fétidas


Sobre a cômoda órfã
apagada está a lamparina
só contornos no escuro
tantos sonhos...
tantos dias -
noites vazias de amor


Na espreita, atrás da porta
um olho fincado na madeira, espia:
Morte? Não tenho certeza...
Talvez... Seu amante!


7 comentários:

  1. Boa noite Lu.. não tem nada de torturado.. tá bem enriquecido este poema isso sim.. quando passei pela calcinha lembrei-me que tenho de fazer um soneto a ela rsrs faz parte né.. espartilho sutia calcinha.. toda a indumentaria feminina vai passar por mim do meu jeitinho de escrever.. bjs e uma linda noite querida amiga

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  2. "E o zinco, perfurado pela lua,
    De estrelas pintalgava a terra nua,
    Nos versos tristes de uma velha canção..."

    Beijos.

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  3. Oi, Lu. Este deixou aquele nó na garganta. Lindo demais!!! Se eu soubesse fazer isso, eu o recitaria também. Respondi teu coment lá no Alma da Casa. rsrsrs...

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  4. Intrigante construção, rica em imagens. Vou pedir carona no barco do Quintana e sobrevoar o quarto desta construção. Abraços

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  5. oi Lu,

    essa angústia que muitas vezes
    nos aperta o peito,
    se reflete no ambiente que vivemos...
    lindo poema!!

    beijinhos

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  6. Olá, Lu! Que lindo! Mergulhei nos seus versos. Vc sempre nos encanta com tanta inspiração! Deixo todo carinho, flores e meu abraço nesse dia do amigo. Bjos!!

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  7. Boa noite, Lu!

    Vi retalhos de uma vida aqui. Retalhos de coisas, retalhos de sentimentos, uma colcha de sensações...
    QUE LINDO!!!!!!!!!!!

    Vc é, e sempre será, fera na palavra escrita, textualizada.

    Bacios mil, caríssima! Parabéns, sempre.

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VEM!

Lu C.