Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso
(Mário Quintana)



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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Changellin - A Elemental






Ler pra mim é combustível para escrita e, além do mais não consigo ficar sem ler. Termino um livro e já parto para outro.

Aprecio também ler trabalhos de amigos(as) escritores e deles me fartar com a criatividade peculiar que faz deles, únicos.

Há tempos eu li um conto de uma escritora talentosa que sabe poetar também e com isso conquistou. seu merecido espaço na Nova Literatura.

Estou falando da minha amiga

Ana Bailune
Ela escreve também no Recanto das letras onde poderão ler na íntegra o conto .
Cliquem

http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/3933528





A história em si já chama atenção logo pelo título, que é impactante. Confesso que quando comecei a ler me veio ao pensamento de que seria mais uma daquelas histórias água com açúcar, tipo drama, sem maiores novidades. Um casal, uma filha e uma vida corriqueira. Entretanto, no decorrer da leitura a autora nos prega uma peça, uma surpresa incontestável que abala as estruturas do leitor, fazendo-o cativo até o final. E olhem que o conto é longo e poderia perfeitamente ser descartado, porque a maioria das pessoas desistem de ler. Mas creio que mesmo os preguiçosos iriam até o fim mesmo que demorassem mais tempo para ler.

Para quem aprecia o místico e o surreal, como eu, é prato cheio. Embora a escritora em questão conquiste também os que gostam de uma água açucarada.

A personagem central é fascinante e ao mesmo tempo assustadora, e pode ser encantadoramente sedutora também - uma consumidora de energias. Extremos fantásticos que criam imagens na imaginação daquele que lê.
Ana invade o mundo enigmático dos seres da Mãe Gaia criando uma fada/menina que revela-se obra de poderes tantos que nem sabia que tinha e que nem ousava controlar.

Dora e Júlio um casal que não gerava ,mas para sua surpresa, aos 39 anos Dora concebeu, mas não sabia, porque suas regras continuavam normais e ela não sentia nenhum desconforto natural da gravidez. Só descobriu duas semanas depois quando suas regras falharam e sua barriga crescia mais e mais a cada semana.


"(...) Aurora nasceu no final da primavera, de parto normal. O médico dissera que o bebê não nascera, mas que fora suavemente impelido para fora, como se escorregasse gentilmente. Dora não sentiu nenhuma dor, a não ser um pouco de cólica.
Aurora não chorava à noite, dormindo profundamente até as seis horas da manhã, quando acordava, mamava e depois de ser trocada ficava quietinha, observando os móbiles que se dependuravam do berço em sua direção.
Dora estranhava o fato de Aurora não gostar de ser segurada, a não ser quando estava sendo alimentada. Toda vez que tentava embala-la ou acaricia-la, o bebê contorcia-se e , se ela insistisse, Aurora protestava em altos brados. Eram as únicas ocasiões que as faziam chorar.
Parecia ter uma saúde de ferro, e aos seis meses de idade, era um lindo bebê sorridente, que nunca tinha tido um resfriado sequer. Seus olhos verde-escuros eram muito penetrantes, e algumas pessoas comentavam o quanto Aurora parecia ter atitudes de uma criança mais velha, e não de um simples bebê.
Começou a falar aos dez meses, e com um ano de idade já parecia entender tudo o que lhe diziam e se comunicava perfeitamente. Era o orgulho de seus pais e seus avós.
Era prática e jamais brigava com outras crianças por causa de brinquedos. Quando queria algo que estava com outra criança, apenas estendia a mão, sorria e a outra criança lhe entregava o brinquedo voluntariamente(...)"


E assim essa estranha criatura cresceu, entre pássaros,florestas, pássaros e seres flutuantes revelando mistérios e levando o leitor ao mundo mágico e talvez subterrâneo onde as fadas emprestam suas vestes para seres humanos atípicos.

"(...) A lua cheia iluminava o caminho entre os arbustos . Aurora caminhava vagarosamente, quase sem fazer ruído, parando de vez em quando para aspirar o ar da noite. A natureza era a única coisa que parecia despertar-lhe alguma emoção. Ela pensava no estranho que dançara com ela, o quanto ele era fascinante. E ele podia toca-la sem que ela se sentisse incomodada, como quando era tocada por outras pessoas(...)"


Dora e Júlio , um casal especial escolhido pela natureza, que viveram o inesperado como parte integrante do mundo real. Emprestando a vida e dela recebendo o elixir da felicidade.

Um conto de Ana Bailune
Resenha de Lu Cavichioli



6 comentários:

  1. Ana é uma escritora talentosa e cheia de inspirações! Gosto muito ! beijos às duas,chica

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  2. oi Lu,

    é sempre um prazer ler escritos
    de gente tão talentosa e inspirada...
    conheci a Ana recentemente e adorei...

    beijinhos

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  3. Oi, Lu. Que surpresa agradável! Muito obrigada. Hoje estou tão cheia de gripe - garganta e febre - que cancelei tudo. Só agora levantei-me um pouco da cama. mas olha, a sua postagem me deixou bem melhor. Um grande abraço!

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  4. Verdade Chica, a Ana surpreende a cada dia, a cada poema e histórias.
    E sou fã dela kkkkkkk dá pra ver né?

    beijão e obrigada por compartilhar

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  5. Oi Rô, com certeza!
    Os contos da Ana são algo que transcende a nossa imaginação.

    Ahh, vc a conheceu? Muito bom rsrs... agora vai poder se deliciar com a escrita dessa mulher pra lá de talentosa.

    beijão

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  6. Oi Ana, obrigada eu por ter essa chance de ler tal beleza como é esse conto e de poder fazer uma resenha, mesmo que tenha sido assim humilde, mas vou treinar mais e seus contos serão minha inspiração.

    Ahh tá dodói, te cuida miga. E... Ainda bem que vc melhorou... Sabe o que é hehehe.... É que vc tomou uma pilula fantástica que foi relembrar desse conto, que é um dos melhores que já escreveu.

    bacios querida e me aguarde que vem mais por aí.
    Melhoras!!

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Lu C.