
Sue e o segredo azul
__Bom dia ma Cher! Vi quando saiu da hospedaria, por acaso é amiga de Apolinário?
Antes de responder olhei aquela mulher que surgiu do nada. Finamente vestida com um tubinho de cor anil que, misteriosamente se escondia sob um casaco de tweed azul royal. Seus olhos negros e bem delineados pela maquiagem sorriam e sua boca em flor gardênia balbuciava em francês pequenos sons que eu, nem de longe entenderia. Junto ao peito, abrigava um pacote envolvido em papel de seda perolado e, ela toda exalava uma aura musical inebriante. Suspirei e cai na real respondendo:
__Sim, sou amiga dele... E você quem é?
__Não importa muito quem eu seja (agora) meu bem, mas posso lhe adiantar que conheci a fundo seu amigo.
__É mesmo, e como se chama?
__Me chamam de Sue...
Começou a nevar e eu a convidei para um café, assim poderia sondar e, quem sabe, achar o fio da meada dessa história toda.
Ela sem demora aceitou. Minha curiosidade começou a dar sinais e eu sem disfarçar iniciei uma perseguição, com meu olhar, para aquele embrulho que ela (ainda) mantinha no peito, abrigado por mãos alvas com dedos finos e bem torneados, emoldurando unhas de um vermelho vulcânico.
Enquanto caminhávamos, eu lembrei dos sapatos que Apolinário comentou –aqueles que tocavam música e sem demora olhei disfarçadamente nos pés dela.
Usava no momento um srcapin azul noite em verniz com salto agulha de uns 12cm mais ou menos. Talvez ele tocasse algo para mim... (céus, eu deveria estar ficando maluca).
Ao atravessarmos a rua vimos o Boulevard Bazart Café, um bistrô super charmoso, com a fachada em madeira acastanhada, com várias gaiolas floridas exibindo pássaros ornamentais, que de longe pareciam artificiais(e eram).
As janelas eram adornadas com floreiras que davam um toque angelical à calçada de lajotas brilhantes em branco e marfim. Entramos rapidamente.
De ambiente acolhedor e refinado, o bistrô servia refeições rápidas e algumas opções de café e chás que se completavam com muitas gostosuras como biscoitos amanteigados, croissants, geléias e toda sorte de guloseimas.
Escolhemos uma mesa encostada na parede, no corredor lateral, bem sob uma arandela em formato de borboleta que para meu contentamento estava acesa e brilhante.
Antes de sentar, aquela mulher exuberante, retirou o casaco revelando um corpo escultural, e quase todo o restaurante parou pra olhar. Eu me sentia o próprio patinho feio.
Delicadamente ela colocou o embrulho na mesa e sobre ele sua carteira.
Eu não me contive e num ímpeto perguntei:
__Desculpe, mas o que leva nesse embrulho?
__Ah, o embrulho? Não se preocupe querida, logo vai saber. Ele faz parte de nossa conversa. Mas antes vou fazer meu pedido.
Cocei a nuca olhando em redor e logo vi o garçon aproximando-se e então desconversei.
__Ahm, está bem... Vamos pedir então.
Nesse meio tempo eu não tirava os olhos dela, tentando adivinhar respostas aos questionamentos internos de uma jornalista até que eu disse:
__Você é brasileira, estou certa? Fala muito bem a minha língua.
__Oui ma Cher! Estou aqui porque tornei-me parte de Paris.
... Que resposta convincente, (pensei já meio cansada de bancar a boa moça) – aquelas educadas e gentis. Ahh, você faz parte de Paris?! Interessante... Mas nada revelador, minha cara. Chega de rodeios e vamos aos finalmente.
Nesse momento meus olhos lançaram farpas sobre ela e eu então mostrei que Alline era também um mulherão e que sabia muito bem o que queria e porque estava ali.
Oh, cherry, se aquiete, agora que Apolinário sumiu posso respirar aliviada e voltar a ser o que realmente sou.
Depois dessa revelação eu queria mesmo é estar deitada em minha cama, no meu apartamento, no Brasil. Onde da janela eu pudesse avistar o pedacinho de céu que Tom Jobim recortou e colou em sua música. Perguntando (revoltada), o que ganharia estando em Paris, coberta de neve, num bistrô qualquer com uma mulher saída de uma revista em quadrinhos?!
Em meio à toda comilança, de repente, Sue pega o embrulho. Abre , entregando-me. Precisei de um gole d’água quando vi o que era. Ela olhou, sorrindo __ eis aí todas as respostas mademoiselle. Fique com meu cartão. Qualquer dúvida é só me telefonar.
Deixou alguns francos para saldar a conta, beijou-me na testa e saiu.

Por Lu Cavichioli



Ali estava toda a verdade que ela procurava.O que será? Tchanmtchan...Aguardar o próximo capítulo...Tá legal,Lu! beijos,chiuca
ResponderExcluirCuriosa que sou, virei desembrulhar
ResponderExcluiras respostas!!!
... Sorriso!!!
Beijos, Linda Lu...
No coração!!!
Iza
O desejo mora no limite da razão
ResponderExcluirHá tanto de intemporal em ti
Solta a palavra em lábios inquietos
As cores do teu “eu” penso que não vi
Imaginei-as mil vezes
Ouro de lei, a limpidez dos diamantes
O pensamento é cavalo errante
Feito na viagem de breves instantes
Boa semana
Doce beijo
Lu,
ResponderExcluirEu virei com a Iza para desembrulhar as respostas.
Beijos!
Alcides
Lu...
ResponderExcluirPodias ter aberto o embrulho... assim ficamos todos tentando imaginar as mais loucas fantasias... :)
Beijos!
querida amiga, gostei do texto, fiquei curiosa, bjs
ResponderExcluirLú
ResponderExcluirUm texto que termina com um mistério, maravilhoso!!
Você poderia desmembrar e tornar
esse conto um romance.
beijos
Ai que bom que consegui ler esse capítulo ... Adorei!
ResponderExcluirEstou esperando pelo próximo menina... Isso está muito bom!
Beijos
Então amigos queridos, essa série era pra ser um NADA, e está crescendo em proporções que nem eu mesma esperava.
ResponderExcluirNem sei o que vai dar essa história, mas creio que ainda tem muita coisa por vir. Mas, isto leva tempo, pois estou pesquisando e tentando criar minha própria atmosfera e fugir um pouco da proposta inicial (que era da releitura, lembram-se?)... pois então... Preciso dar um rumo na vida do Apolinário, da Sue e desta que vos fala (que tem ainda muito que escrever).
Eu fiquei muito feliz que tenha despertado essa vontade em ler as continuações e ser lida por vocês já é uma vitória pra mim.
Eu agradeço (mesmo), a visita de todos e deixo no ar (ainda) o mistério, que em breve (assim espero), possa ser desvendado e a partir dele a história revelar outros horizontes.
Um super beijo a todos pela leitura, interesse, incentivo e carinho.
UM SONHO EM PARIS DÁ UMA PARADA, MAS VOLTA COM NOVIDADES.
O retrato continua em produção.
Amo vocês todos.
Lu Cavichioli