A vida me permitia ficar. Era tudo muito simples porque eu podia ver tudo quanto eu quisesse, fosse dia ou noite, e isso fazia de mim expectador universal em longa viagem dentro de algum espiral metálico que cuspisse fogo pelas ventas.
Eu esperava ansiosa pelas águas de março e os ventos de setembro redescobrindo a vida e a morte ao meu redor. Justamente porque eu estava em constante movimento e as mudanças eram crayons que me desenhavam no panorama artístico de um pintor imaginário. Talvez ele vivesse no alto da serra, cortando lenha e colhendo aromas de florestas na tentativa de perfumar meu coração altaneiro e fugaz.
Lembro-me da estatura varonil dos folículos e pedúnculos raquíticos que nasciam no beiral da estrada, lá pelas bandas da ponte, onde o ar era altamente castigado pelo abraço ofegante dos gases maléficos que invadiam as narinas da atmosfera.
De quando em vez eu sonhava com as montanhas que arrogantes gesticulavam rostos no ocaso abrindo as cortinas da lua para então eu repousar e me tornar um gigante imantado no marinho do azul.
Dos ninhos eu era dona absoluta e minha força era oásis ao meio dia. E assim eu ia ficando, crescendo e multiplicando junto à generosidade da mãe Gaia, cujo plantio favorável e afável, zelava - ao longe - um tanto desgastada.
Cresci seguindo meu curso que era natural e essencial dentro das tantas possibilidades que me eram conferidas naquele momento (talvez único), antes do abate.
FIM DO CAMINHO (salve o verde e todas as outras cores)
Minhas flores com certeza iriam parar em algum vaso
com pouco oxigênio e nenhum talento
Minhas folhas ficariam
ausentes de clorofila - e meus
brotos nem veriam a luz
Meu tronco alvejado,
marcado e dolorido
choraria seivas
Minha raiz (órfã)
escreveria no solo...
Eu fui APENAS uma árvore!
by Lu Cavichioli
*Texto e poema unidos num grito de alerta aos homens de boa vontade que (ainda) vivem no planeta - nosso aconchego, nossa casa- nosso bem querer.
* nota da autora: Escolhi o IPÊ (que eu particulamente amo) para representar nossa flora.
BOA SEMANA A TODOS!








Se eu fosse uma árvore...
ResponderExcluir...te daria um abraço apertado, ipêzinha amarela! Lindo!
Mas como sou um simples ser humano, mando-te beijos.
Amiga Lu, à medida que lia teu poema, sentia uma expansão da alma e o meu espírito viajava e ia ao encontro das tuas flores e paisagens maravilhosas, ao mesmo tempo, ouvia tu recitando essas palavras poéticas, como se fosse uma mantra, num tom de voz melodioso e angelical. Amiga ao ver teu divino post, ganhei a tarde.
ResponderExcluirHá tempo que não via nada tão lindo.
Um abração. Com certeza tu terás uma linda semana.
Um ser humano (diga-se de passagem)- ADMIRÁVEL!
ResponderExcluirTá valendo o abraço e o beijo rs!
E, como de costume, RR - beijo nas mãos tb!
Dilmar, fiquei emocionada com teu comentário, meu amigo!
ResponderExcluirEsse texto veio assim meio do nada e foi crescendo em cores, rs!
Primeiro veio o título e depois os ipês foram se desenhando e deu nisso.
Fico grata por tua leitura e feliz porque de alguma forma, minhas palavras atingiram teu coração.
forte abraço
Maravilha de texto e de imagens! A natureza tem gritado, inutilmente.
ResponderExcluirNas suas palavras, a beleza que ela tem e que, inconscientes, estamos deixando passar, sem preservação.
Bjs.
Oi Mari, vamos continuar tentando e GRITANDO!
ResponderExcluirAorei que vieste.
grande beijo
Que imagens são essas, misericórdia quanta beleza a natureza é capaz de ofertar, de graça. Daí o que nós, homo sapiens vamos lá e fazemos? Destruímos tudinhooo...
ResponderExcluirLindo texto.
Belíssima poesia.
Composição bacaninha.
Beijo, Lu.
Eu também achei mais lindo o amarelo.
Oi Mi, eu acho lindo o amarelinho, mas prefiro o rosa =D
ResponderExcluirBebi teu texto num fôlego só, Lu!
ResponderExcluirMe senti em cada lugar e situação citados, estive dentro das linhas, solta por entre as palavras.
Obrigada pelo passeio, querida minha! Adoro o que vem da tua alma.
;)
Um beijo.
Querida Luna, fico feliz em ter lhe proporcionado esse momento.
ResponderExcluirGrata por este carinho e por você ser tão especial!
meu afeto
beijo :D
Seu texto é belissimo é assim que viaja num boa leitura entre flores.
ResponderExcluirhoje embora já sendo noite venho deixar um beijo do dia das crianças.
essa criança que mora no meu coração.
Evanir
Lu ZINHA....
ResponderExcluirTem fases em que ficamos sensíveis mais do que o normal.
To assim.... E lendo seu texto fui me emocionando.. a certo tempo parei a leitura e pensei: Como pode?
Como pode a Luzinha escrever com tanta propriedade, com tanto sentimento...passando tanta emoção...
As palavras, as imagens, o poema abaixo...perfeito!!
Um dos posts mais lindos que eu vi e li até hoje!
Beijo talentosa amiga!!
Lú que coisa linda que você postou...um texto simplismente doce como você...e as imagens do ipês encantam...te confesso que o amarelo é maravilhoso minha cor preferida..
ResponderExcluirMuitos beijos ..
Hoje é dia das crianças por aqui..Desejo que a criança que mora em você,no seu coração sempre floresça como esses ipês..
titi
MA ZINHA, vc tem toda razão, eu tb ando sensível e um pouco nostálgica. Mas ainda bem que passa e a escrita me ajuda, sabe?
ResponderExcluirEsse texto veio do nada, tipo quando eu vi um ipê nas minhas imagens e logo veio o título e o todo o resto. Nem me pergunte como! rs
O poema veio quando vi árvores abatidas, Fiquei triste com tanta devastação e comecei a escrever (de novo) kkk
E acabou dando nisso.
Gracias my dear!
bacios
Te amuu
Titi fofura, adoro qdo vens porque sempre chega de mansinho, com esse carinho todo e acaba tendo paciência em ler meus "rabiscos" rsrs..
ResponderExcluirObrigada ,linda
bjs ;D
Lu:
ResponderExcluirVocê escolheu um post maravilhoso, pra compartilhar lá na Sinopse Semanal.
A natureza clama diariamente por socorro, e infelizmente não é atendida....
Muito obrigada pela participação.
Boa semana.
Bjs.:
Sil