Olá queridos amigos blogueiros, trago até vocês um conto que me emociona toda vez que re (leio), porque ele tem muito de mim e de minha vida. Embora eu tenha urdido algumas tramas fictícias.
Vou postar em capítulos para não cansar na leitura porque é um tanto longo. Contudo, vale a pena ler.
Prólogo
Rose costumava comprar os presentes de natal antecipadamente e naquele ano não seria diferente. Contudo, a ceia de natal reservava algo inusitado a todos e a busca por algo diferente para ser colocado sob sua árvore natalina a estava deixando cega, surda e muda de tanta ansiedade e quem sabe um receio ,que lá no fundo de sua alma, tinha a face desconhecida da surpresa.
Aproveitando minha folga na clínica, eu e meu velho resolvemos conversar seriamente sobre a proposta dele e que mudaria minha vida. Bem ali, juntinhos na rede enquanto esperávamos Alice voltar do colégio, dividiamos um pequeno chá da tarde com algumas torradas, manteiga com geléia e um fofinho bolo de laranja com cobertura glaçada que ele mesmo fazia questão de preparar.
Meu pai era um homem generoso em suas decisões e sábio ao lidar com situações delicadas. Desde cedo aprendi com ele valores preciosos sobre a vida como por exemplo, uma certa reflexão que ele chamava de auto análise.
Sempre foi um homem ponderado, correto e de um caráter íntegro e sincero, quer fosse em casa ou no trabalho. Talvez por isso tivesse tantos amigos.
O chá emitia seu perfume entrelaçado em uma névoa branca que subia da xícara invadindo a varanda. O por de sol já mostrava sua aquarela quando o ouvi pigarrear, e isso era um sinal de que ele ia começar a falar e queria minha total atenção.
Olhei sorrindo com o canto da boca e piscando ao mesmo tempo que passava minha mão em seu rosto:
_Vamos lá papai, diga logo o que está pensando.
_Vejo que me conhece do avesso né querida? - Lembra filha, quando trazíamos uma companhia pra você no natal?
_Sim, paizinho, lembro-me como se fosse hoje... Eu morria de ciúme , mas hoje compreendo o bem que fizeram àquelas crianças, mesmo que a dor fosse dobrada ao devolvê-las para o orfanato. .. E olha, nem precisa continuar a dizer nada, porque já advinhei tua fala.
Ele sorriu e me beijou docemente na testa.
-Olha pai, eu falei com o Marcos e ele concordou. Semana que vem podemos ir juntos ao orfanato... Aquele que fica no km24 da Rodovia do Pessego, é aquele não?
_Sim filhota é aquele mesmo... - você era apenas uma menina. Ah, mas deve estar todo reformado e aposto que a Sra. Dis'téfano nem está mais lá.
-Pode até ser pai, tudo é possível. Eu até gostaria de vê-la, nem me lembro de seu rosto... o que ficou em minha memória foi somente o coque que ela ostentava no alto da cabeça e aquele óculos de aro dourado que eu achava que era de brinquedo, lembra?
Caímos na risada e eu me senti menina novamente , mas mesmo assim um canto de dúvida pairou sobre o olhar de papai...
_ O que foi pai?
_ Ah filha, sera que Alice vai aceitar um órfão para passar o natal e ano novo com a gente? Tenho cá minhas dúvidas.
_Poxa, agora que você tocou no assunto, devo confessar que Marcos fez a mesma pergunta ontem. Mas olha paizinho, ela já tem seis anos e...
Os olhos de Rose ficaram marejados e seu pai segurou firme em suas mãos e disse com aquele tom de voz tão conhecido por ela e qu lhe acalmava todas as dores.
_ Minha querida, pense bem... Você já superou o fato e sabe que teu marido é aberto a qualquer decisão que tomar a esse respeito.
_ Eu sei pai, mas é que isso me persegue e assombra e você é testemunha de meus pesadelos. Ah, mas deixa pra lá... -- Seus olhares foram interrompidos pela buzina da perua que chegava com Alice.
-Ah, chegou a boneca do vovô!
Alice saiu em disparada e num piscar de olhos já estava empoleirada no colo de papai.
_Sabe vovô eu desenhei um castelo hoje, igualzinho daqueles que você faz pra essas pessoas ricas e que pagam pelos teus "rabiscos" feitos a régua.
Meu pai sorria balançando a cabeça dizendo:
_Não são castelos querida, são apenas casas e que de tão grandes podemos chamar de mansões.
-Ah, pra mim são castelos... E dizendo isso deu-lhe um beijo, me abraçou e saiu correndo ao encontro de Thor, nosso cão labrador.
Como é bom ser criança e saber-se livre na inocência da infância.
Depois de nossa costumeira oração à mesa antes do jantar, Alice estava agitada e com sua impaciência me perguntou:
_Mãe, você já telefonou para o Papai Noel?
(continua)
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Linjdo, bem escrito e quero poder acompanhar! beijos,ótimo feriado! chica
ResponderExcluirBom dia Lu.. acho bonito isso de orar antes das jantas.. pena que aqui em casa nunca tivemos o habito.. mas deixa eu ter minha familia srs bjs e um lindo dia
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