Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso
(Mário Quintana)



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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Razões do Coração By Lu Cavichioli

Olá queridos amigos blogueiros, trago até vocês um conto que me emociona toda vez que re (leio), porque ele tem muito de mim e de minha vida. Embora eu tenha urdido algumas tramas fictícias.

Vou postar em capítulos para não cansar na leitura porque é um tanto longo. Contudo, vale a pena ler.


Prólogo

Rose costumava comprar os presentes de natal antecipadamente e naquele ano não seria diferente. Contudo, a ceia de natal reservava algo inusitado a todos e a busca por algo diferente para ser colocado sob sua árvore natalina a estava deixando cega, surda e muda de tanta ansiedade e quem sabe um receio ,que lá no fundo de sua alma, tinha a face desconhecida da surpresa. 



Aproveitando minha folga na clínica, eu e meu velho resolvemos conversar seriamente sobre a proposta dele e que mudaria minha vida. Bem ali, juntinhos na rede enquanto esperávamos Alice voltar do colégio, dividiamos um pequeno chá da tarde com algumas torradas, manteiga com geléia e um fofinho bolo de laranja com cobertura glaçada que ele mesmo fazia questão de preparar.

Meu pai era um homem generoso em suas decisões e sábio ao lidar com situações delicadas. Desde cedo aprendi com ele valores preciosos sobre a vida como por exemplo, uma certa reflexão que ele chamava de auto análise.

Sempre foi um homem ponderado, correto e de um caráter íntegro e sincero, quer fosse em casa ou no trabalho. Talvez por isso tivesse tantos amigos.

O chá emitia seu perfume entrelaçado em uma névoa branca que subia da xícara invadindo a varanda. O por de sol já mostrava sua aquarela quando o ouvi pigarrear, e isso era um sinal de que ele ia começar a falar e queria minha total atenção.

Olhei sorrindo com o canto da boca e piscando ao mesmo tempo que passava minha mão em seu rosto:

_Vamos lá papai, diga logo o que está pensando.

_Vejo que me conhece do avesso né querida? - Lembra filha, quando trazíamos uma companhia pra você no natal?

_Sim, paizinho, lembro-me como se fosse hoje... Eu morria de ciúme , mas hoje compreendo o bem que fizeram àquelas crianças, mesmo que a dor fosse dobrada ao devolvê-las para o orfanato. .. E olha, nem precisa continuar a dizer nada, porque já advinhei tua fala.

Ele sorriu e me beijou docemente na testa.

-Olha pai, eu falei com o Marcos e ele concordou. Semana que vem podemos ir juntos ao orfanato... Aquele que fica no km24 da Rodovia do Pessego, é aquele não?

_Sim filhota é aquele mesmo... - você era apenas uma menina. Ah, mas deve estar todo reformado e aposto que a Sra. Dis'téfano nem está mais lá.

-Pode até ser pai, tudo é possível. Eu até gostaria de vê-la, nem me lembro de seu rosto... o que ficou em minha memória foi somente o coque que ela ostentava no alto da cabeça e aquele óculos de aro dourado que eu achava que era de brinquedo, lembra?

Caímos na risada e eu me senti menina novamente , mas mesmo assim um canto de dúvida pairou sobre o olhar de papai... 
_ O que foi pai?
_ Ah filha, sera que Alice vai aceitar um órfão para passar o natal e ano novo com a gente? Tenho cá minhas dúvidas.

_Poxa, agora que você tocou no assunto, devo confessar que Marcos fez a mesma pergunta ontem. Mas olha paizinho, ela já tem seis anos e... 
Os olhos de Rose ficaram marejados e seu pai segurou firme em suas mãos e disse com aquele tom de voz tão conhecido por ela e qu lhe acalmava todas as dores.

_ Minha querida, pense bem... Você já superou o fato e sabe que teu marido é aberto a qualquer decisão que tomar a esse respeito.
_ Eu sei pai, mas é que isso me persegue e assombra e você é testemunha de meus pesadelos. Ah, mas deixa pra lá... -- Seus olhares foram interrompidos pela buzina da perua que chegava com Alice.

-Ah, chegou a boneca do vovô!

Alice saiu em disparada e num piscar de olhos já estava empoleirada no colo de papai.

_Sabe vovô eu desenhei um castelo hoje, igualzinho daqueles que você faz pra essas pessoas ricas e que pagam pelos teus "rabiscos" feitos a régua.

Meu pai sorria balançando a cabeça dizendo:
_Não são castelos querida, são apenas casas e que de tão grandes podemos chamar de mansões.
-Ah, pra mim são castelos... E dizendo isso deu-lhe um beijo, me abraçou e saiu correndo ao encontro de Thor, nosso cão labrador.

Como é bom ser criança e saber-se livre na inocência da infância.

Depois de nossa costumeira oração à mesa antes do jantar, Alice estava agitada e com sua impaciência me perguntou:

_Mãe, você já telefonou para o Papai Noel?

(continua)


2 comentários:

  1. Linjdo, bem escrito e quero poder acompanhar! beijos,ótimo feriado! chica

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  2. Bom dia Lu.. acho bonito isso de orar antes das jantas.. pena que aqui em casa nunca tivemos o habito.. mas deixa eu ter minha familia srs bjs e um lindo dia

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Lu C.